sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Because tonight will be the night that I will fall for you

Melancolia. Tudo o que podia acontecer no seu dia te distrói.Até mesmo as coisas boas. O mundo diminui, esvazia, e parece que todo o seu tempo vivido aqui não valeu de nada. As pessoas parecem não me notar agora. Ou sou eu que não percebi que elas nunca me notaram? Tudo parece tão diferente do que é. Mais complicado do que realmente aparenta ser.
Os meses passam como um relâmpago, mas para mim é como se não tivesse saído nunca daquela noite, em que estávamos tão perto e longe ao mesmo tempo. O nosso amor era como uma coisa imensa. Uma coisa inexplicável. Tínhamos um ao outro, nos amávamos, éramos perfeitamente perfeitos. Sonhávamos com casa, família, filhos, quarto rosa se fosse menina e azul se fosse menino. Os nomes seriam Sophia para menina e Thomas para menino. Ambos éramos apaixonados pelas mesmas coisas. Acho que por isso nos dávamos tão bem. Era como se um completasse o outro. Naquela noite, a melhor coisa foi que estávamos muito próximos. Muito amáveis, e muito compreensíveis. Resolvemos sair, para namorar um pouco, e fomos a um restaurante no centro da cidade. Comemos alguma coisa e saímos. Era tudo tão perfeito que não tinha explicação mais perfeita para aquilo que intensamente perfeito. Pegamos o carro e fomos embora. No carro continuamos sempre com as nossas histórias. Filhos, casa, família, férias na praia, chácaras, clubes, reunião dos pais. Era como um conto de fadas real e moderno.
Andando tranquilamente na rua, dentro do carro, voltando para nossa casa, eu olhava todas aquelas casas, grandes ou pequenas, e me imaginava dentro delas. Com a familia na mesa - meu grande amor, e meus dois filhos -, eu servindo o jantar, toda animada. Depois eu os pegava e os colocava na cama para dormir, contava uma história. Era apenas isso que eu queria. Isso que eu desejava. Ter uma família com o homem que eu mais amo na minha vida. Paramos no sinaleiro fechado e ficamos conversando, trocando idéias e fantasias, sonhos e realidades. Nos olhamos profundamente, por uns 10 segundos, e de repente, uma lágrima saiu dos meus olhos e desceu pelo meu rosto até morrer na minha boca. Ele olhou pra mim, assustado, e quis saber o que havia acontecido, mas realmente nem eu sabia. Era uma angústia, um aperto no peito que era inexplicavel. Ele soltou um sorriso lindo tentando me acalmar.O sinal abriu e ele, ainda com sorriso nos lábios, avançou com o carro. Foi a ultima vez que vi o sorriso mais lindo em toda a minha vida. Quando ele entrou com a frente do carro no cruzamento, veio um carro na contra mão e bateu em cheio na lateral do nosso. Eu desmaiei. Acordei no hospital, sem ao menos lembrar ou saber o que tinha acontecido com ele. No fundo eu sabia, mas não queria aceitar.
Tudo que eu havia conquistado até aquele momento, foi por água abaixo. Afundou. Acabou. Virou pó. Nada restou. Somente eu. Sozinha nesse mundo, sem o grande amor da minha vida. O desespero tomou conta de mim, eu realmente não sabia o que fazer, eu precisava do meu homem do meu lado, pra me acolher, me proteger, brigar comigo quando fosse necessário. Mas eu nunca mais iria vê-lo. NUNCA MAIS. Isso era tão injusto. Eu nem ao menos pude me despedir dele. Ele simplesmente me deixou. Me abandonou. Me deixou apodrecendo aqui. Como um NADA.
Levantei minha cabeça do travesseiro e vi minha mãe sentada na poltrona, chorando. Eu fiquei sem entender qual era o motivo pelo qual ela estava chorando, ja que eu estava viva. Foi quando eu senti algo que eu nunca havia sentido. Levantei o lençol e vi.. vi que.. eu estava sem as minhas duas pernas. Sim. Sem elas. Elas não estavam ali. Havia apenas uma faixa na altura dos meus joelhos e pra baixo não havia nada, somente o lençol. A maca. Eu me desesperei. Entrei em pânico. Já não bastava o meu marido, agora as minhas pernas? O que mais Deus pretendia tirar de mim? O que mais? Eu pensava que tudo estava acabado. Que nada podia piorar. Foi quando o médico entrou na sala, com uns papéis na mão. Ele olhou fundo nos meus olhos e disse que eu perdi.Fiquei completamente confusa. O que eu perdi? O meu marido? As minhas pernas? Sim. Isso eu ja sabia. Mas foi quando ele abriu o papel e lá dizia que eu estava grávida a 1 mês, e que havia perdido meu filho no acidente. Eu acho que realmente só a morte poderia aliviar a minha dor. Ou a melancolia que foram os meus dias, sem ele.
O mundo pode ser um ótimo lugar pra se viver. Mas não depende só de voce. Depende de todos a sua volta. Principalmente aqueles que voce nem imagina que possam te fazer mal. Ame uma pessoa como se ela nunca mais fosse voltar pra voce. Mesmo que voce saiba que daqui a 10 minutos vai vê-la novamente na sua frente. Porque, eu achava que 10 minutos depois eu estaria com ele, na minha casa, FELIZ.

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